O homem que aprendeu a ouvir o vento
07/17/2025
2507172520339

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Dizem que há um momento na vida de todo homem em que ele para de falar — não por escolha, mas por cansaço. Cansaço de gritar onde ninguém escuta. Cansaço de explicar o que o mundo insiste em não querer entender.
Foi nesse silêncio que ele nasceu. Não de útero, mas de vazio. Não de choro, mas de ausência.
Chamavam-no por muitos nomes: louco, andarilho, feiticeiro. Mas ele nunca respondeu. Porque, desde cedo, aprendeu que a única voz que não mente é a do vento.
O vento não tem rosto, nem pátria, nem religião. Não deseja, não cobra, não julga. Ele apenas passa — e quem escuta com atenção, entende.
Foi numa tarde sem nome, sob um céu sem tempo, que ele ouviu pela primeira vez. Não era uma voz humana. Era mais profunda que qualquer palavra e mais leve que qualquer lamento. Era um sussurro antigo, vindo de muito antes de tudo o que é nomeado.
Disse-lhe apenas: “Anda.”
E ele andou. Deixou para trás a casa, o nome, as certezas. Levou consigo apenas um caderno em branco, uma pedra no bolso e a memória de um rosto que não sabia mais desenhar.
Desde então, caminha. Não por destino, mas por escuta. Cada rajada que sopra, cada folha que dança, cada silêncio que respira — tudo é palavra.
Não busca fama, redenção ou respostas. Busca histórias. Busca almas esquecidas que, como ele, só querem ser ouvidas uma última vez antes de desaparecerem.
E assim começa a viagem do homem que aprendeu a escutar o vento. Talvez ele já tenha passado por tua aldeia, por tua rua, por tua sombra. Mas tu não o viste. Porque só quem já foi silêncio é capaz de ouvir.

Literary: Other
filosófico
culatral
drama...
esperança
poético
africano

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Meireles Nsangui
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Title O homem que aprendeu a ouvir o vento
Dizem que há um momento na vida de todo homem em que ele para de falar — não por escolha, mas por cansaço. Cansaço de gritar onde ninguém escuta. Cansaço de explicar o que o mundo insiste em não querer entender.
Foi nesse silêncio que ele nasceu. Não de útero, mas de vazio. Não de choro, mas de ausência.
Chamavam-no por muitos nomes: louco, andarilho, feiticeiro. Mas ele nunca respondeu. Porque, desde cedo, aprendeu que a única voz que não mente é a do vento.
O vento não tem rosto, nem pátria, nem religião. Não deseja, não cobra, não julga. Ele apenas passa — e quem escuta com atenção, entende.
Foi numa tarde sem nome, sob um céu sem tempo, que ele ouviu pela primeira vez. Não era uma voz humana. Era mais profunda que qualquer palavra e mais leve que qualquer lamento. Era um sussurro antigo, vindo de muito antes de tudo o que é nomeado.
Disse-lhe apenas: “Anda.”
E ele andou. Deixou para trás a casa, o nome, as certezas. Levou consigo apenas um caderno em branco, uma pedra no bolso e a memória de um rosto que não sabia mais desenhar.
Desde então, caminha. Não por destino, mas por escuta. Cada rajada que sopra, cada folha que dança, cada silêncio que respira — tudo é palavra.
Não busca fama, redenção ou respostas. Busca histórias. Busca almas esquecidas que, como ele, só querem ser ouvidas uma última vez antes de desaparecerem.
E assim começa a viagem do homem que aprendeu a escutar o vento. Talvez ele já tenha passado por tua aldeia, por tua rua, por tua sombra. Mas tu não o viste. Porque só quem já foi silêncio é capaz de ouvir.
Work type Literary: Other
Tags filosófico, culatral, drama..., esperança, poético, africano

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Identifier 2507172520339
Entry date Jul 17, 2025, 9:52 AM UTC
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Author. Holder Meireles Nsangui. Date Jul 17, 2025.


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